16 de outubro de 2015

Vizinhos e Amigos: um perigo?

Calma, todos nós temos vizinhos e todos nós temos os nossos amigos. Aquilo que vos venho falar aqui hoje está enquadrado na minha profissão.

Enquanto Farmacêutico, é muito frequente receber utentes que se queixam de um ou outro transtorno menor e procuram uma solução que resolva esse mesmo transtorno, sem recorrerem à visita médica. De salientar que muitas situações conseguem efetivamente ser resolvidas na Farmácia, o que muito me satisfaz.

No entanto, é necessário ter alguns cuidados. Já não é a primeira nem a segunda pessoa que atendo aqui na Farmácia que se vem queixar de um determinado desconforto e que falou dessa situação ao vizinho ou ao amigo e este deu-lhe medicação porque no caso dele tinha resolvido por isso no caso do agora queixoso também ia resultar. ERRO!!!!!!!


Os medicamentos podem ajudar-nos e muitas vezes "são nossos amigos" pois ajudam-nos mas não deixam de ser medicamentos, com efeitos terapêuticos mas também efeitos adversos, em alguns casos, bastante graves.

Meus amigos, cada caso é um caso e é preciso ter o mínimo de bom senso. É preferível uma pessoa vir à Farmácia e dizer "Queixo-me disto e disto e disto e um amigo meu aconselhou-me a tomar isto. O que acha?" do que "eu queixei-me disto e um amigo meu disse que tinha tomado isto e eu tomei". Vou-vos explicar o que pode acontecer: cada pessoa tem o seu próprio organismo, logo reage de forma diferente a diferentes coisas do que a pessoa ao lado (amigo/vizinho). Assim, no caso do vosso amigo/vizinho resultou mas pode não resultar no vosso. E pior: podem surgir determinados efeitos indesejáveis (que não são nada simpáticos) e aí pode ser "pior a emenda que o soneto"!

Posso dizer-vos que já apanhei um caso de uma Mãe que veio à Farmácia pedir um anti-inflamatório para o filho. Este tinha-se queixado de dores musculares e que no trabalho um colega dele tinha-lhe dado uma medicação e o filho melhorou logo ao fim de um dia.
Primeiro ponto: neste caso, não se aconselhou com um profissional de saúde devidamente qualificado, a fim de um aconselhamento mais adequado à situação
Segundo ponto: os anti-inflamatórios trazem problemas a nível gastrointestinal e a nível cardiovascular (isto numa pessoa com problemas cardíacos é necessário ter bastante cuidado).
Terceiro ponto: o anti-inflamatório em questão que o colega de trabalho deu ao filho desta senhora foi na sua dosagem máxima e, para além disso, traz efeitos indesejáveis VERDADEIRAMENTE indesejáveis. Estão mesmo a ver o que aconteceu, certo?

Depois de eu saber qual o nome do anti-inflamatório que o filho tomou, e em que dosagem, perguntei à Mãe se o filho se se tinha sentido bem. A Mãe, depois da minha pergunta, ficou pensativa (e comprometida também) e depois lá acabou por dizer que o filho realmente tinha melhorado mas que tinha passado um bocado mal relativamente ao estômago e que ficou com suores frios (efeitos adversos da medicação em questão).

Com tudo isto só vos quero alertar para uma coisa: sempre que precisarem de algum medicamento para tratar algum problema menor de saúde dirijam-se à Farmácia mais próxima de vossa casa, liguem para lá ou procurem aconselhamento com profissionais devidamente qualificados. Não optem pela saída mais fácil que é ir ao supermercado ou pedir a um vizinho ou amigo o que ele costuma tomar nestas situações. A menos que o vizinho ou amigo em questão seja um profissional de saúde: aí o caso muda de figura ;)

Até lá, portem-se bem e conservem a vossa saúde, pois é a coisa mais importante!

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