25 de outubro de 2015

BOOKS #2 | Os Anagramas de Varsóvia (Richard Zimler)

Mais um livro lido e, como tal, escrevo e partilho a minha opinião sobre o mesmo. Desta vez, acabei um livro de Richard Zimler (o primeiro livro que leio deste autor e acho que vou começar a estar mais atento aos lançamentos dele). Segundo o mesmo, Os Anagramas de Varsóvia é:

"Um romance policial arrepiante e soberbamente escrito passado no gueto judaico de Varsóvia. Narrado por um homem que por todas as razões devia estar morto e que pode estar a mentir sobre a sua identidade. No Outono de 1940, os nazis encerraram quatrocentos mil judeus numa pequena área da capital da Polónia, criando uma ilha urbana cortada do mundo exterior. Erik Cohen, um velho psiquiatra, é forçado a mudar-se para um minúsculo apartamento com a sobrinha e o seu adorado sobrinho-neto de nove anos, Adam.
Num dia de frio cortante, Adam desaparece. Na manhã seguinte, o seu corpo é descoberto na vedação de arame farpado que rodeia o gueto. Uma das pernas do rapaz foi cortada e um pequeno pedaço de cordel deixado na sua boca.
Por que razão terá o cadáver sido profanado?
Erik luta contra a sua raiva avassaladora e o seu desespero jurando descobrir o assassino do sobrinho para vingar a sua morte. Um amigo de infância, Izzy, cuja coragem e sentido de humor impedem Erik de perder a confiança, junta-se-lhe nessa busca perigosa e desesperada.
Em breve outro cadáver aparece - desta vez o de uma rapariga, a quem foi cortada uma das mãos. As provas começam a apontar para um traidor judeu que atrai crianças para a morte.
Neste thriller histórico profundamente comovente e sombrio, Erik e Izzy levam o leitor até aos lugares mais proibidos de Varsóvia e aos mais heróicos recantos do coração humano."


Posso dizer-vos que é praticamente impossível parar de lê-lo. Uma narrativa excelente e bastante "leve" de acompanhar, uma história (verídica) bastante interessante e cativante para o leitor, contada na primeira pessoa. Uma pessoa entra diretamente na história e vive intensamente como se fosse um dos personagens do livro. Sente a angústia de Erik Cohen enquanto procura o que se passou com o seu sobrinho-neto e ficamos empolgados quando há algum progresso nessa sua demanda.

Fotografia original
Ao longo do livro conseguimos ter uma ideia bastante "gráfica" da miséria e da pobreza em que o povo judeu vivia naquele tempo: a fome que eles passavam, a falta de condições de higiene e de asseio que, por muito que eles as quisessem ter, era difícil por falta de posses. Os truques a que eles tinham de recorrer para conseguirem algo tão simples como uma laranja ou água quente deixa uma pessoa a refletir durante imenso tempo na nossa vida atualmente. Por vezes, queixamo-nos de coisas tão simples e básicas e não nos lembramos que aquele povo vivia bem pior que nós e, dentro do que tinham, tentavam ser felizes à sua maneira.

Confesso que a história se passa num período da História que me interessa particularmente - a Segunda Grande Guerra e a perseguição das tropas alemãs aos judeus em busca do seu extermínio. Algo que sinceramente me ultrapassa. Não consigo entender como foi possível haver tanto ódio e tanta maldade dentro de uma pessoa para pensar sequer em fazer algo assim. Já tive a oportunidade de visitar os campos de concentração em Auschwitz-Birkenau (visita que recomendo vivamente a toda a gente) e senti-me mal a pensar nos horrores que aquelas pessoas passaram e viveram. Saí de lá a pensar e a pensar nas pequenas coisas com que às vezes me aborrecia que afinal são mesmo pequenas e insignificantes comparativamente com estas.

Relativamente ao livro eu não tinha quaisquer expectativas, uma vez que nunca tinha lido algum livro deste autor mas sem dúvida que agora vou procurar mais livros deste escritor porque fiquei curioso em conhecer mais obras dele.

Alguém já leu este livro? :)

2 comentários: