4 de setembro de 2015

A noite em que assaltei a "Caixa Forte"

Este fim-de-semana fui ao Teatro Sá da Bandeira e assisti à peça "Caixa Forte". Esta era uma peça que tinha curiosidade em ver desde o ano passado quando estreou em Lisboa, devido à história e também ao elenco.


Para quem não conhece a história, aqui fica um breve resumo:

"Caixa Forte" é uma comédia com Fernando Mendes, Carla Andrino, Cristina Areia e Frederico Amaral. Fernando Mendes é Rogério, um segurança de um banco, que numa sexta-feira se prepara para um dia normal de trabalho ao acompanhar um casal de clientes ao interior da caixa forte.
Minutos depois de entrarem, a porta da caixa forte fecha-se automaticamente, deixando o segurança e o casal de clientes encurralados no seu interior.
Assim, um segurança bonacheirão, uma rica arrogante e o seu jovem e maltratado marido vão ter de aprender a conviver juntos e arranjar um plano que lhes permita sobreviver até segunda-feira, altura em que a porta se voltará a abrir. Dentro da caixa forte, os telemóveis não funcionam, não há maneira de contactar com o exterior, só há uma garrafa de água e - o mais grave, na opinião de Rogério - não há chanfana.
Durante uma hora e meia, os três vão conhecer-se, odiar-se, discutir o canibalismo, confessar os seus pecados, arranjar maneira de ultrapassar o facto de não haver uma casa de banho, ouvir Jorge Fernando e... sobreviver! Sobreviver à clausura e, mais difícil, sobreviver às conversas e teorias do segurança.
Resta saber se todos estão ali pelas razões que aparentam e se alguém os salvará antes de segunda-feira."

A peça de teatro está bem conseguida, o Teatro Sá da Bandeira é que, infelizmente, há muito tempo não recebe um investimento daqueles para ser remodelado ou para pelo menos ser pintado. Sim!! Merecia alguns apoios financeiros para reavivar a beleza daquele teatro.

Voltando à peça de teatro: esta está bem conseguida mas algumas questões desfraldaram as minhas expectativas. Tendo em conta a sinopse, eu já ia com a ideia que o cenário iria ser único - o interior de uma caixa forte. Isto, parecendo que não, quebra um pouco o movimento da peça, tornando-a um pouco "parada". O argumento estava bom, as piada estavam bem "encaixadas", gostei particularmente do pormenor de que, dependendo da zona do país onde eles estão a apresentar a peça de teatro, as piadas giram em volta dessa mesma terra. Neste caso, as piadas andaram à volta de tripas à moda do Porto, Francesinhas, Ribeira, Torre dos Clérigos, entre outros. Quanto ao elenco, Fernando Mendes e Carla Andrino estão bem à altura do desafio (se bem que esta última já vi a fazer bem mais e melhor - o papel não deu espaço para aproveitar o potencial máximo desta brilhante atriz), mas os personagens foram bem interpretados e souberam dinamizar a peça e o argumento e prender a audiência. Frederico Amaral, o conhecido e mediático "Rena" da série "I love it", foi uma agradável surpresa, pois esteve muito bem, tendo em conta a sua pouquíssima experiência (ao lado dos outros atores) em teatro: espero vê-lo em mais peças. Já Cristina Areia podia dar mais. O personagem desta atriz - Ana - entra apenas a meio da história mas sinceramente não vem adicionar nada mais à peça. Se o personagem dela fosse inexistente, a peça fazia-se na mesma... Quanto à interpretação, penso que teatro não é bem a "zona de conforto" dela. Se estivéssemos a falar de Revista, aí sim, tinha um desempenho bastante superior ao prestado nesta peça de teatro, certamente. Erro de casting ou mau dia para a atriz? Nunca iremos saber a não ser quando a virmos numa outra peça de teatro, quem sabe num registo diferente ao que a "Caixa Forte" exige.

No final da peça (ao fim de pouco mais de uma hora e meia) tive a oportunidade de conhecer e tirar uma foto (ficou desfocada, daí não a publicar) com a Carla Andrino e com o Frederico Amaral (este último é gigante!) à porta dos bastidores do Teatro.

Espero continuar a ver mais peças de teatro aqui pela zona onde eu moro - Porto - pois a maior parte das peças vai parar a Lisboa e só muito a "saca-rolhas" é que sobem ao Norte (Portugal não é só Lisboa meus amigos!). Há que cultivar as gerações vindouras de cultura e arte e sem dúvida a representação merece ser apoiada e mais reconhecida em Portugal.


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